logo_225px2_225Instituto das Comunidades Educativas

Quinta de Educação e Ambiente

A Quinta de Educação e Ambiente da Lagoa de Santo André é um território Educativo em que se entrecruzam aprendizagens formais e informais. Desenvolve-se e apoia-se numa dupla realidade. Por um lado, no património natural e paisagístico que é preciso conhecer para defender e promover, e por outro lado, nas pessoas que ali vivem e que contribuíram, geração após geração, para a sua reconstrução permanente.

Funciona como um espaço de trabalho e de reconhecimento das potencialidades da Natureza e da vida rural que se oferece a crianças e jovens do município e do país. Prefigura-se como uma estratégia de visibilidade, de defesa e de promoção do local. 

O centro aglutinador das actividades situa-se na Reserva Natural das Lagoas de Santo André e da Sancha, mais concretamente no Monte do Paio.

Procura-se na sua génese:

  •  A implantação de uma Escola Cidadã:

    • Onde a Educação Ambiental acontece

    • Sobre Ambiente

    • No Ambiente

    • Pelo Ambiente;

    • Onde a reflexão e questionamento proporcione a consciência do direito de e  não apenas do direito a; 

    • Onde o "Meio Social", a comunidade intervenha como foz e como nascente dos saberes e das aprendizagens;

    • Onde a investigação, a pesquisa fundamente e torne pertinente as aprendizagens.

 

  •  A promoção e qualificação das populações e dos seus saberes assegurando-se a sua implicação não apenas nas iniciativas mas na produção de soluções e de alternativas.

  •  A desocultação das potencialidades locais transformadas em esteios de desenvolvimento e fontes de riqueza.

  •  A criação de uma cultura e de uma prática de cooperação e de solidariedade entre grupos sociais, crianças, jovens, mulheres e adultos.

Neste sentido, são objectivos específicos deste projecto

  • Dinamizar social e culturalmente a Reserva Natural das Lagoas de Santo André e Sancha, levando os habitantes do território a que se deu corpo a:

 - Identificar-se com a importância da sua defesa e promoção;

- Potenciar os seus saberes e competências pela criação de novas actividades e/ou requalificação das existentes (pesca, agricultura, artesanato, ...);

  • Potenciar a Reserva enquanto fonte de conhecimento:

- Estimulando o interesse pelas aprendizagens num contexto integrado e integrador das    

  crianças da região e de crianças oriundas de outros pontos do país;

  - Criando núcleos de investigação (observatório, centro de interpretação, centro    experimental, centro de documentação)

  • Intervir como" formadores" de quem visita a Reserva (crianças, jovens, curiosos).

  • Reforçar o sentido de cidadania das comunidades e das crianças envolvidas, passando de uma lógica de defesa a uma lógica de promoção do Ambiente.

Na planificação das actividades para as crianças, temos como principal preocupação a criação de situações diversificadas de aprendizagem, de forma a que cada professor possa construir com os alunos, familiares e colaborantes comunitários um currículo adequado e pertinente.

Assim são organizadas:

Actividades com as crianças

Percursos Pedestres e de Barco de forma a que as crianças possam não só observar a fauna e a flora existente na Reserva Natural, mas também perceber o que são, porque aqui vivem e quais as ameaças à sua existência e continuidade.

Investe-se na observação, registo, experimentação e investigação, como pilares metodológicos orientadores das aprendizagens. Tem-se como principal preocupação questionar para que as crianças se tornem cada vez mais produtoras das suas aprendizagens e criticas face ao mundo que as rodeia.

Nestes percursos são contemplados alguns momentos específicos para desenvolvimento das capacidades individuais ("para sentir a Natureza") e de troca de ideias.

Jogos

São organizadas diversas actividades onde de uma forma lúdica procuramos:

- implementar / aprofundar os princípios fundamentais ao trabalho de grupo: a socialização, partilha, interajuda, responsabilização e sentido critico.

- promover a percepção ambiental, entendendo esta como sendo "uma tomada de consciência do ambiente pelo homem" ou seja perceber o ambiente em que se está localizado, aprendendo a protegê-lo e a cuidá-lo da melhor forma.

- induzir as crianças à descoberta e aplicação de novos conceitos.

- relacionar factos e conhecimentos.

- levar as crianças a conhecer / potenciar a cultura local e o ambiente que os cerca.

Actividades de Reciclagem / Reutilização

Constroem-se brinquedos tradicionais e diversos produtos para venda, nomeadamente:

  • Blocos para apontamentos com o papel reciclado
  • Porta moedas com embalagens tetra pak
  • Sabão com borras de azeite (desperdício do lagar da zona)
  • Jogos didácticos sobre a separação dos lixos

"Modos de Fazer" Tradicionais

Orientados por familiares, amigos e vizinhos das Escolas, as crianças aprendem com os mais velhos, não só a confeccionar alguns produtos locais (o pão, queijo, doces típicos, folares e sabão), como algumas técnicas agrícolas (construção de canteiros, produção de batata, fava, milho, ...) e a recolha, tratamento e utilização de plantas para fins aromáticos e medicinais.

Iniciadas nas Aulas de Campo no Monte do Paio, onde existem infraestruturas de suporte (horta, casa da amassaria e cozinha), estas são actividades que têm continuidade nas diversas escolas com o objectivo de produzir materiais para venda na SANTIAGRO (Feira Agrícola de Santiago do Cacém) e no Centro de Interpretação da Reserva Natural.

Muitas são as pessoas que não se limitam a trabalhar com as crianças, mas que constroem / produzem autonomamente nas horas de lazer e que gentilmente oferecem os produtos às Escolas, tendo a preocupação de mostrar e dar a conhecer sempre mais "alguma coisinha que também é nossa...".

Atelier de Experimentações

De forma a estimular as aprendizagens através da experimentação e descoberta colectiva, funciona um atelier de experimentações no decorrer das Aulas de Campo.

Após a observação, tenta-se levar as crianças à descoberta da fundamentação.

Actividades na Horta

Embora a proposta inicial de qualquer actividade realizada neste espaço seja o aprender a cultivar para termos plantas para estudar e/ou fazer qualquer produto para vender (doce, chá ou saco de cheiro), um objectivo é motivar para a aquisição/ aplicação de conceitos matemáticos. Desta forma as crianças são levadas a medir, pesar, comparar e noções como perímetro, área, volume, múltiplo e submúltiplo surgem porque são necessárias.

Campo de Férias

Organizam-se durante o mês de Julho, campos de férias, onde crianças e jovens de outras regiões do país podem usufruir da riqueza deste espaço natural e desenvolver algumas das actividades do Projecto QEA, ficando alojadas no Centro de Acolhimento do Monte do Paio.

Actividades com Adultos

Taleigo de Saberes

De forma a rentabilizar saberes comunitários e potenciar a busca colectiva de soluções para o local, criámos uma dinâmica a que demos o nome de "Taleigo de Saberes".

Assim, foram organizados alguns espaços (aprendizagem de leitura e escrita, informática, artes decorativas, ginástica para adultos, ponto de Arraiolos, visitas a locais de interesse), esperando a curto / médio prazo conseguir que as pessoas se apropriem do processo, funcionando o mesmo como motor para troca de ideias, reflexão colectiva e suporte à iniciativa e promoção de actividades cívicas, sociais culturais e económicas, potenciando a autoformação e a interacção entre as pessoas.

Sábados no Monte

Sendo o Monte do Paio um espaço que em tempos não muito longínquos constituía um centro de animação e convívio local, procurámos trazer novamente a este espaço não só aqueles que em tempos dele usufruíram mas também os mais novos, de forma a recriar/ potenciar afectos. Para tal foram "instituídos" os Sábados no Monte. Nas tardes dos segundos sábados de cada mês, além da exposição e venda de produtos da região, onde cada um pode vender desde o artesanato ao excedente da horta, ainda se organiza passagem de filmes e sessões de informação sobre temáticas pertinentes; percursos pedestres; e/ou pequenos eventos culturais.

Actividades com os Professores

Este projecto exige um constante trabalho de equipa, visto as pequenas escolas rurais funcionarem como "salas de aula" de uma "grande escola", só que descentradas nas várias localidades. Desde que se concebeu e começou a dar os seus primeiros passos, que se associa à intervenção uma dimensão reflexiva, voltada para a interpelação da acção, a construção de um pensamento estratégico e, a qualificação dos profissionais implicados.

Uma tal reflexão traduz-se, necessariamente, num processo formativo que decorre em duas situações distintas:

  • através de momentos organizados no quotidiano do projecto e orientados pelas e para as suas dinâmicas.
  • sob a forma de espaços de reflexão, descentrados da acção e em torno de conteúdos e objectivos definidos a partir de problemáticas especificas que emergem do momento vivido pelo projecto.

Se na primeira situação prevalece uma reflexão informal que, em última análise, se confunde com o trabalho de preparação, acompanhamento e avaliação das iniciativas do projecto, na segunda a reflexão tem assumido a forma de um módulo estruturado, sob a forma de Oficinas Pedagógicas de Formação, cujas temáticas são ditadas pelas necessidades / preocupações.

Criado a partir do PROJECTO DAS ESCOLAS RURAIS - Núcleo de Santiago do Cacém (clique para ver documento)

Bibliografia: 

Revista Pais & Filhos - nº 19, Junho 2003

"Uma Aldeia para Educar Uma Criança" pág. (s) 90 a 96

D'ESPINEY, Rui; PEREIRA, Isabel - Revista Aprender - Escola Superior de Educação de Portalegre - nº 27, Maio 2003, Experiência de Formação e Inovação : " Quinta de Educação e Ambiente - Um projecto de Requalificação do local"  pág(s) 114 a 119;

D'ESPINEY, Rui;  PEREIRA, Isabel  - Revista Espacio para la Infância - Bernard Van Leer Fundation  - nº20, Julho 2003 - Creciendo hoy en el âmbito rural: retos y desafíos

"Uma aposta nas novas ruralidades: Quinta de Educação e Ambiente da Lagoa de Santo André"- pág.(s) 12 e 13

D'ESPINEY, Rui; PEREIRA, Isabel - Caderno ICE - nº6 - Educação, Inovação e Local - "Uma aposta nas novas ruralidades: Quinta de Educação e Ambiente da Lagoa de Santo André"- pág. (s) 27 a 37

2007 © Copyright ICE. Todos os direitos reservados.
Powered by Nectica